sábado, 26 de novembro de 2011

Das nossas entrelinhas...







Garantias? Quem as tem?  Nesta vida nada é garantido, e quando se trata de sentimentos então, se torna mais complicado ainda. Passei muito tempo, e sei que ainda passarei muito mais, tentando não esperar muito das pessoas, tentando não criar desejos ilusórios, não fazer de minhas expectativas, exigências. Tentando tapar os buracos de mim, os buracos que sempre coloquei nas mãos dos que amo, quando na verdade só eu posso tapá-los, só eu posso preenchê-los, e assim transbordar para o outro, por que
 é nesse passar de energia, de transbordamentos, que reconhecemos quem amamos, e quem nos ama, serve de quase garantia, pois essa certeza ninguém pode dar, ou ter, ou passar.

Coração do outro por mais que se mostre, não fica totalmente exposto em todos os pontos, marcas, dores e sorrisos, existem muitas coisas que não podem ser excluídas das entrelinhas, muitos não sabem compreender, sentir aquela coisa que enche o peito, e vai direto aos olhos, provocando aquele brilho, aquela luz que poucos conseguem enxergar, e quando acontece esse êxtase puríssimo, não se pode duvidar, não se pode duvidar...

É um estado de enamoramento com o invisível, com o silêncio das palavras, só os gestos se bastam, só o olhar encharcando todo o ser de verdades, a alma chegando ao seu ponto de fusão com o sentimento e todas as suas temperies, o gozo do momento chega a ser insano, de tão intenso, de tão forte, bonito...

E insisto, insisto, mas meu coração torna a dizer que essa completidão poucos veem e sentem, ele implora, clama, mas o ser está fechado pra si, fechado somente para suas rasuras, para os seus desejos de ter, receber, para a dor de suas esperas, por belezas que criam  como possível preenchimento, mesmo sabendo que não chegarão como queremos, por que nada, nada será nos dado, se não colocarmos todo o nosso desejo à responsabilidade de nosso ego, enquanto não ousarmos nos tornar aquilo que tanto queremos que o outro se torne para nós. Enquanto não nos despirmos da escuridão, que nossas carências criadas provocam, da necessidade de por todos os nossos buracos a mercê do outro, é urgente que tomemos posse de nós!



Lúria Stael

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