Passei a conhecê-lo melhor, observando seu andar, seu olhar,
seus lábios, seu corpo. Observando comentários, palavras e gestos não
direcionados a mim.
Ao ver que seu olhar se direcionava a outros olhares, ao
sentir que seus desejos estavam interligados em outros desejos, os que não eram
os meus.
O conheci melhor, ao descobrir o que ele fazia sem estar comigo,
o que ele dizia a meu respeito, ao fita-lo enquanto dormia, ao amá-lo enquanto
não percebia a dimensão do meu sentimento, enquanto nem ao menos sentia o mesmo
por mim.
Analisando cada rastro seu, cada pegada que por raras vezes vinha ao meu
encontro. E quando vinha, hoje percebi, que era apenas restos, pedaços de
pedaços sem intensidade, sem gosto, sem prazer, sem vida, sem sentimento, que
não me servia.
Comecei a conhecê-lo melhor, por seus descuidos de
pensamentos e da língua que cedia as mais secretas perguntas instaladas em meu
intimo. Por meio de meu eu curioso e indagativo, por meio de minha alma que
clama pelo extremo, pelo verdadeiro, pela perfeição do mais elevado sentimento.
O que eu descobri, fez-me cair em pranto, me magoar, me
ferir, mas perdoei. E o amor que eu
sentia, também derramou suas lágrimas, se feriu, se magoou, perdoou, mas se
foi.
Lúria Stael





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