terça-feira, 5 de outubro de 2010

A implosão da mentira!!!!!


Em algumas leituras vi esse poema e achei bem interessante, foi publicado em diversos jornais em 1980. E apesar do tempo decorrido, face aos acontecimentos políticos que já temos visto nesses últimos tempos, ele permanece atualíssimo. Interessante que ele se refere ao período ditatorial da época, e mesmo assim não deixa de fazer parte de nosso cenário atual.










A implosão da mentira
Affonso Romano de Sant'Anna

Fragmento 1

               Mentiram-me.Mentiram-me ontem
               e hoje mentem novamente. Mentem
               de corpo e alma, completamente.
               E mentem de maneira tão pungente
               que acho que mentem sinceramente.

               Mentem, sobretudo, impune/mente.
               Não mentem tristes. Alegremente
               mentem. Mentem tão nacional/mente
               que acham que mentindo história afora
               vão enganar a morte eterna/mente.

               Mentem.Mentem e calam. Mas suas frases
               falam. E desfilam de tal modo nuas
               que mesmo um cego pode ver
               a verdade em trapos pelas ruas.

               Sei que a verdade é difícil
               e para alguns é cara e escura.
               Mas não se chega à verdade
               pela mentira, nem à democracia
               pela ditadura.

Fragmento 2

               Evidente/mente a crer
               nos que me mentem
               uma flor nasceu em Hiroshima
               e em Auschwitz havia um circo
               permanente.

               Mentem. Mentem caricatural-
               mente.
               Mentem como a careca
               mente ao pente,
               mentem como a dentadura
               mente ao dente,
               mentem como a carroça
               à besta em frente,
               mentem como a doença
               ao doente,
               mentem clara/mente
               como o espelho transparente.
               Mentem deslavadamente,
               como nenhuma lavadeira mente
               ao ver a nódoa sobre o linho. Mentem
               com a cara limpa e nas mãos
               o sangue quente. Mentem
               ardente/mente como um doente
               em seus instantes de febre.Mentem
               fabulosa/mente como o caçador que quer passar
               gato por lebre.E nessa trilha de mentiras
               a caça é que caça o caçador,
               com a armadilha.
               E assim cada qual
               mente industrial?mente,
               mente partidária?mente,
               mente incivil?mente,
               mente tropical?mente,
               mente incontinente?mente,
               mente hereditária?mente,
               mente, mente, mente.
               E de tanto mentir tão brava/mente
               constroem um país
               de mentira —diária/mente.


Este poema possui 5 fragmentos, vc poderá estar vendo este poema completo, entre outras magníficas obras, e conhecer melhor este tão grande autor, visitando:  Biografias


Espero que se divirtam com as gostosas leituras.....





4 comentários:

Eu disse...

Passei para conhecer o seu blog e fiquei encantada com tudo o que encontrei aqui.
Realmente esse grande escritor soube passar a realidade que tanto nos machuca... o passar do tempo não mudou muitas coisas.

Voltarei mais vezes!

Um abraço carinhoso

Lúria Stael disse...

Olá querida!
Obrigada por seu comentário e visita!
Seja sempre bem vinda!

Um beijo no coração!!

Eu disse...

Olá! Vim agradecer de coração a sua presença e palavras em meu blog!
Muito obrigada!
Que os laços de um boa amizade se fortaleça entre nós!

Um beijo carinhoso

Lúria Stael disse...

Foi um prazer visitar tão gostoso espaço!
Passarei por lá mais vezes, gostei muito!

Também espero, que os laços de uma boa amizade,se fortaleçam cada vez mais e
assim será!

Um abraço!!!!

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